As dificuldades enfrentadas pelos professores no EAD em tempos de Covid-19

Se você está lendo esse post nesse momento, já deve ter percebido que 2020 está sendo um ano bem atípico, em todos os sentidos. Com o avanço do novo coronavírus, muitos setores estão sendo forçados a se reinventar, não é diferente com atividade docente.

Em um belo dia de domingo, normal como os outros antes da pandemia, após aquele almoço em família, ouço no rádio do carro, sobre o decreto de fechamento das escolas públicas e particulares. Seguido dele, um breve momento de silêncio e reflexão. E agora?

Atualmente, a legislação não permite aulas à distância na educação infantil e no ensino fundamental (1° ao 9° ano), no entanto com a transmissão da doença Covid-19, o MEC (Ministério da Educação) criou o COE (Comitê Operativo de Emergência) que em uma de suas primeiras medidas, apontou que o ensino online pode ser uma alternativa para a reposição das aulas.

A lei n° 9.394/ 1966 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) estabelece em seu art. n° 24, inciso I que a educação básica nos níveis fundamental e médio, será organizada com a carga horária mínima anual de oitocentas horas, distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo de exames finais, quando houver. De acordo com o Ministério Público a medida provisória n° 934 dispensa o cumprimento dos 200 dias letivos, porém, mantém a obrigação de oitocentas horas de aula no ano.

O fato é, que de uma semana para outra, tudo mudou! Os docentes tiveram que se adaptar a desafios e angústias enormes, desde a se acostumar com as câmeras e edição de imagens, até a pensar em estratégias para alcançar os alunos em suas casas.

Nesses dias de quarentena, tenho escutado muitos relatos de colegas de profissão, sobre as dificuldades enfrentadas nesse processo, o que me incentivou a escrever este post e propor uma reflexão sobre o assunto.

O ponto inicial é a falta de treinamento para o ensino à distância. A maioria dos professores foram pegos de surpresa, muitos não receberam nenhum curso de capacitação para as aulas online. Além disso, falta suporte técnico, aplicativos e ferramentas para facilitar os registros diários, e monitorar se o estudante está aprendendo de fato.

Outro problema enfrentado pelos professores, é alcançar a todos os alunos, principalmente os de escolas públicas, haja vista que, nem todos tem acesso à internet em casa e outros utilizam a Internet móvel (3G/4G). Dependendo dos recursos utilizados na aula online e da quantidade de arquivos, o aluno não consegue ter acesso, pois consome a sua franquia de dados rapidamente.

Um dos recursos utilizados para as aulas online, são os grupos de whatsapp. Para o professor que possui apenas uma turma, como é o meu caso, pode até ser viável. Agora, imagine um professor de área, que possui mais de dez turmas! Se em cada grupo tiver em média 20 alunos. Já pensou? Mensagens simultâneas, arquivos, links, tudo ao mesmo tempo! Aliás, muitos professores já relatam estar tendo problemas com os seus aparelhos telefônicos diariamente.

Outro recurso utilizado pelos professores é o Google Classroom “sala de aula”, apesar de ser uma ferramenta que permite o envio de atividades e outras funções, o aluno precisa ter um bom acesso à internet, usando a internet móvel do celular, a tarefa se torna um desafio. Além disso, blocos de atividades estão sendo enviados via e-mail, contas estão sendo criadas no Telegram, vídeo aulas são gravadas e alguns até arriscam fazer lives.

Para tentar minimizar os efeitos da pandemia no ensino, algumas escolas tem disponibilizado o material impresso uma vez por semana, para os alunos com dificuldade de acesso às aulas online. Nesse sentindo, é preciso repensar o que é mais viável e procurar seguir também as orientações do Ministério da Saúde.

Para nós professores da educação infantil e ensino fundamental, o desafio ainda é maior, pois é essencial a mediação dos pais nesse processo. A criança precisa ser orientada em casa nas atividades e nem sempre os pais estão dispostos a ensiná-los, ou em outros casos não estão aptos a fazê-lo. Para os professores da alfabetização, ainda é mais complexo, pois se para alfabetizar presencialmente é um processo desafiador, imagine à distância!

Não estamos de férias! Estamos trabalhando muito para nos adaptar a essa nova rotina. O home office não é tão simples, principalmente quando o professor tem crianças pequenas em casa, tendo que dividir a atenção com os pais e alunos, esclarecendo dúvidas através de mensagens enviadas a cada minuto. Chegamos ao fim do dia exaustos, porém com o sentimento de dever cumprido.

O momento é incerto, muitos professores temem sobre os impactos no ano letivo. Como ficará o aprendizado dos alunos? Quando as aulas presenciais irão retornar? Como fica a relação professor e aluno? Que diga-se de passagem, é algo é primordial para o bom desenvolvimento da criança como individuo social. Somadas a todas essas dúvidas, sentimos a falta do acolhimento diário em sala de aula, dos abraços e rodas de conversa.

Ademais, as preocupações não param por aí! Há também os impactos na economia. Muitos servidores podem ter os seus salários reduzidos ou atrasados. Os profissionais de escolas particulares, também já estão sendo afetados, pois alguns pais já não conseguem honrar os compromissos com as mensalidades e outros negociam a redução dos valores contratados.

Enfim, diante da situação, estamos nos reinventando e procurando formas de amenizar esses impactos provocados pela pandemia. Embora, alguns professores ainda demonstrem resistência ao aderir à plataforma digital, a grande maioria tem utilizado a tecnologia ao seu favor, afinal, a educação é a arma mais poderosa que podemos usar para transformar o mundo.